Crítica | Ms. Marvel - 1ª Temporada | Quando uma atriz carrega a série nas costas


Para expandir o MCU, Ms. Marvel chegou ao serviço de streaming da Disney para apresentar uma personagem desconhecida por muitos de maneira que incrementasse a nova fase que a Marvel está formando com suas produções, desta vez com uma pegada muito mais leve e infantilizada, mas será que conseguiu ? O último episódio do seriado acabou de lançar e agora você pode conferir a nossa crítica desta primeira temporada.


Não é surpresa para ninguém que a Disney costuma limitar a classificação indicativa de filmes e séries da Marvel, justamente para evitar perder o público mais jovem e, principalmente, dinheiro. Porém, em Ms. Marvel, esta decisão tem reais fundamentos, ou pelo menos na teoria sim, uma vez que o enredo da obra acompanha uma adolescente que tenta entender os seus poderes e a sua história, tudo isso de maneira cômica e divertida, para não dizer infantil.


Esta escolha acabou diminuindo bastante qualquer expectativa que tínhamos para a série, já que ela costuma fazer com que produções deixem de aprofundar as suas tramas para evitar uma classificação indicativa maior, o que felizmente aqui, não aconteceu, pois embora seja essencialmente infantil, Ms. Marvel sabe economizar roteiro para que sua protagonista tenha um bom desenvolvimento, seja no que diz respeito aos seus poderes, quanto ao que diz respeito ao seu emocional, agraciada também por uma boa trama familiar em seu primórdio, sendo que é aqui onde os problemas aparecem.


Durante os primeiros episódios, tínhamos certeza de que haveria algum momento em que a origem dos poderes da Kamala Khan, protagonista interpretada por Iman Vellani, que por sinal atua super bem, seria contada a partir de alguma mitologia criada neste universo, porém não esperávamos que ela ia ser aprofundada substancialmente já durante essa primeira temporada, um susto que inicialmente foi positivo, mas que começou a passar dos limites de nossa tolerância com o tempo.


Não que não tenhamos gostado da origem em si, mas a partir do ponto em que deixou de lado a premissa da própria série (que aparentava ser mais pé no chão do que realmente foi) para explorar esse conceito, ficou claro que a ideia funcionaria melhor em uma possível segunda temporada, que já poderia contar com uma personagem amadurecida e poderosa o suficiente para lidar com a situação, que também poderia ser levada mais a sério do que foi aqui.


Outro ponto negativo é o roteiro, não porque ele facilita demais as coisas, mas sim pela falta de lógica presente em quase tudo que tem alguma relação com o passado da personagem, inclusive a série tem um momento inteiro apenas para isso, que é o caso do episódio 5, que por sinal é tremendamente mal encaixado, ao ponto de quebrar a linha narrativa da obra justo no que foi o penúltimo episódio.


Além disso, alguns personagens que deveriam funcionar como vilões tem motivações extremamente mal construídas e que dão a sensação de que tudo aquilo só vai ter alguma explicação mais para frente, algo que atrapalha bastante a experiência.


Claro que é possível aproveitar o encerramento da temporada, que embora tenha sido mais um exemplo de Fórmula Marvel, foi sim bastante agradável, não só para nós, como também para os fãs, que já teorizavam sobre algumas participações surpreendentes que tivemos no último episódio, o que não tira o peso negativo da bagagem narrativa desperdiçada.


Quanto à atuação, embora o brilho do carisma de Vellani esteja claro, temos de concordar que o elenco como um todo faz um belo trabalho, principalmente diante do que lhe foi proposto.


O CGI pode não ser um dos melhores, variando bastante, seja no bom ou no mal sentido, de modo a causar certo estranhamento em alguns momentos, porém é aceitável levando em conta o orçamento da série. No mais, podemos comentar a trilha sonora, bastante divertida, embora não muito original.


Inclusive, vale observar que a fotografia da obra é bastante colorida, com tons fortes e vívidos em praticamente todas as cenas, com algumas pequenas exceções é claro, um detalhe que ressalta o público e o tom da série. Este aspecto não é um ponto positivo ou negativo em si, embora alguns de nós tenham preferência por uma paleta de cores mais escura.


De maneira geral, Ms. Marvel aposta em um tom mais leve, humor infantil, críticas sociais mistas, bons atores e em uma premissa interessante, mas que por ser jogada de lado cedo de mais, dá lugar à uma trama sem tanto peso quanto poderia ter em um futuro próximo dentro do MCU, desperdiçando alguns conceitos interessantes e resultando em um conjunto colorido, mas sem sal.