[Crítica] Stranger Things 5
De volta a Hawkins para uma última arrancada (desnecessária)


Já que estamos falando dos personagens individualmente, entramos na decadência do nosso querido vilão. O Vecna (Jamie Campbell Bower), que no início parecia uma ameaça digna de pesadelos, foi transformado em um vilão de novela mexicana cujo final patético sequer lhe concede uma linha de fala - algo simplesmente inacreditável considerando tudo o que ele representava. Ele perdeu todo o apelo grandioso e seus últimos momentos servem para os protagonistas desfilarem com uma armadura de enredo tão impenetrável que nem um meteoro certeiro mataria alguém ali. A covardia narrativa é mais que absurda: ninguém morre, ninguém sofre consequências reais, e o perigo parece tão iminente quanto um feriado que cai no domingo.
Para fechar o caixão com pregos de ouro, o Volume 3 consegue a proeza de ser tão ruim quanto o 2, consolidando essa como, sem dúvida, a pior temporada de toda a série. As escolhas narrativas no episódio 7 que desafiam a lógica básica e uma mania irritante de deixar tudo para ser resolvido "nos acréscimos" do último episódio. A atuação do elenco ainda é boa e os visuais são lindos — o que é o mínimo, considerando que a Netflix gastou o PIB de um pequeno país nessa produção — mas a alma da série foi drenada mais rápido do que as vítimas do Mundo Invertido.
Posso apontar a 5ª temporada como uma prova do que sempre defendi: a série deveria ter acabado na terceira. Stranger Things 3 foi o momento em que a narrativa atingiu a junção perfeita entre o espetáculo visual e a dor genuína do amadurecimento, culminando em um 4 de julho que simbolizava não apenas a independência dos EUA, mas a independência da infância para o grupo de Hawkins. O sacrifício de Hopper — selado por aquela carta devastadora sobre "manter a porta entreaberta" — oferecia uma redenção completa e poética ao personagem, enquanto a partida dos Byers da cidade encerrava o ciclo de mistério local com uma melancolia necessária. Não só isso, como permitiu a construção de uma amizade genuína entre Eleven (Millie Bobby Brown) e Max (Sadie Sink), que humanizava a personagem mais importante da trama para além dos poderes. No entanto, o verdadeiro trunfo foi a construção do vilão; ao transformar Billy Hargrove no hospedeiro do Devorador de Mentes, a série entregou sua ameaça mais visceral, trágica e cinematográfica. Billy não era apenas um monstro de CGI, mas um antagonista com camadas de trauma real, cuja performance de Dacre Montgomery trouxe um senso de perigo físico que a série nunca conseguiu replicar com a mesma intensidade (não é atoa que a melhor cena da temporada seguinte está diretamente relacionada a seu arco na 3ª temporada). Encerrar a jornada ali, com a batalha épica no shopping e o sacrifício final de Hopper selado por aquela carta devastadora sobre o tempo e a mudança, teria preservado Stranger Things como uma obra quase impecável (minimizando os defeitos da 2ª temporada), sobre o fim da inocência, evitando a diluição do mistério em tramas globais que, embora grandiosas, raramente alcançam a pureza emocional daquele verão de 1985
Stranger Things 5 não é um épico, é um lembrete de que, às vezes, é melhor saber a hora de apagar a luz antes que a gente comece a torcer pelo vilão só para a série acabar mais rápido.
Depois de três longos anos, a espera finalmente terminou: Stranger Things 5 estreou, marcando o início do capítulo final desta aclamada saga. Com a pressão de responder a todas as perguntas e entregar o desfecho que os fãs merecem, a temporada final foi dividida em três volumes. Nós já assistimos tudo e está na hora de soltar o verbo. Sem mais enrolações, vamos à crítica.
Olha, é preciso ter um talento muito especial para pegar uma das maiores galinhas dos ovos de ouro da história do streaming e transformá-la em um pato manco, mas os Irmãos Duffer conseguiram essa proeza com louvor na 5ª temporada de Stranger Things. Depois de um Volume 1 que serviu aquele "bafo de esperança" e nos fez acreditar que o arco de Will Byers (Noah Schnapp) e o reencontro de Joyce (Winona Ryder) teriam alguma substância, os Volumes 2 e 3 chegaram para provar que a série não está apenas terminando, ela está pedindo para ser sacrificada.
O Volume 2 é um exercício de paciência que faz qualquer cinéfilo que preze minimamente pelo seu próprio tempo surtar. O ritmo é tão ágil quanto uma tartaruga com asma; a impressão que fica é que os roteiristas simplesmente jogaram um bando de ideias aleatórias na nossa cara e, cinco minutos depois, decidiram que nada daquilo valia mais.
E o que dizer do desperdício criminoso de Jonathan (Charlie Heaton) e Nancy (Natalia Dyer)? A internet passou anos teorizando sobre o triângulo amoroso e o crescimento desses dois, para os Duffer entregarem um "fechamento" que ninguém entendeu e que tem o peso dramático de uma folha em branco. Eles viraram figurantes de luxo, perdidos em Hawkins sem saber se olham para o monstro ou para o próprio tédio.





