[Crítica] Salve Rosa (2025)
Discussões relevantes, mas sem profundidade




Revivendo polêmicas e discussões da vida real, o filme Salve Rosa, dirigido por Susanna Lira, narra a história fictícia de uma famosa influenciadora mirim, Rosa, interpretada por Klara Castanho, ao descobrir alterações em seus exames após desmaiar na escola, acarretando no questionamento da própria realidade e de seu relacionamento com a mãe.
Rosa se apresenta na internet como uma criança carismática e alegre, ao passo que, por trás das câmeras, sofre com o abuso parental que por muito tempo passou despercebido. O filme acerta, portanto, ao trazer em evidência temáticas pertinentes sobre infantilização, presença online de crianças e adolescentes, controle parental e exploração de menores.
Outro ponto positivo é a caracterização da personagem principal, Rosa. Klara Castanho é uma atriz de 25 anos mas que, ao ser inserida no mundo de ursinhos de pelúcia, brinquedos, vestidos rodados e arco-íris de Rosa, passa despercebeida ao interpretar uma garota que aparenta ter apenas 13 anos.
Também é interessante observar a paleta de cores e ambientação. O cenário e roupas coloridas, chamativas e lúdicas que vestem Rosa dialogam diretamente com sua caracterização, mas também contrastam com as cores escuras e frias de Dora, sua mãe, e das cores criativas e modernas de sua amiga Zoe, mostrando o quão alheia Rosa está do mundo que ela foi privada de pertencer. As cores rosa, azul, amarelo e verde evocam conforto e inocência, mas pintam a prisão que Rosa foi condenada a viver.
Entretanto, o roteiro falha ao abordar com profundidade os aspectos a respeito da exploração e trabalho infantil no meio digital, tornando uma questão complexa e atual em uma trama superficial e apressada que, apesar de entregar uma mensagem clara, desvia do foco ao negligenciar um desenvolvimento multifacetado em prol de cenas descartáveis.
A respeito disso, o arco narrativo que retrata a vida sexual da mãe de Rosa, bem como o adultério protagonizado pela mesma e Beto, seu vizinho comprometido, se mostrou desnecessário pois não adere em nenhum aspecto. Na realidade, prejudica o envolvimento temático e o desenvolvimento do enredo.
Portanto, o filme Salve Rosa traz à tona discussões relevantes, principalmente em meio ao crescimento de influenciadores menores de idade. Porém, não compensa a falta de profundidade e constância necessária ao denunciar tal assunto, evidenciando cenas embaralhadas e dispensáveis, que não conversam com o todo da obra.



