[Crítica] O Morro dos Ventos Uivantes (2026)
Menos ventos e mais uivos




“Wuthering Heights”, mais conhecido no Brasil como O Morro dos Ventos Uivantes, se popularizou aqui no nosso país por volta dos anos 90 pelo cover que a banda Angra realizou da música de Kate Bush; ele é um clássico da literatura inglesa e mundial, escrito pela autora inglesa Emily Brontë. Na obra, é retratado um amor impossível entre Catherine e Heathcliff; porém, não se deixe enganar pelas aparências, pois este livro não fala do romance em si. A narrativa possui um caráter muito mais fantasmagórico, trágico, melancólico e triste. Já o filme O Morro dos Ventos Uivantes, com data de lançamento de 12 de fevereiro, é dirigido por Emerald Fennell, traz uma abordagem mais romantizada, distorcendo, assim, parte da história original.
O filme, em minha visão, foi totalmente descaracterizado em relação à obra original, algo que envolve o roteiro, o cenário e, principalmente, a questão da raça e da aparência dos personagens. O que o público mais vêm comentando é sobre Heathcliff, pois, no livro, ele é descrito como um homem cigano, de pele escura, que sofre intenso preconceito — preconceito esse que é uma das bases para explicar por que ele e Catherine não podem ficar juntos. Além disso, ao romantizar excessivamente a narrativa, o filme acaba por erotizá-la completamente, algo inexistente na obra original, que não apresenta menções ou falas explícitas sobre sexo ou interações sexuais entre os personagens. No filme, porém, isso é mostrado de forma aberta.
A única escolha que considerei positiva foi a mistura do surrealismo com arquiteturas e elementos góticos e vitorianos. Embora em certos momentos isso soe exagerado, também confere um toque de diferença à obra. Cada cenário parece contar algo por si só; um exemplo disso é quando Catherine se casa com Edgar, ela tem tudo, mas, no fundo, percebemos que lhe falta algo — justamente “aquilo” que ela mais desejava, que ela sempre esperou, é o que ela sempre quis ter consigo.



