[Crítica] Eles Vão Te Matar

Ideia interessante, execução questionável

Gabriel Rodrigues

3/25/20263 min read

Entre os diversos filmes de terror lançados recentemente, este consegue se destacar em alguns aspectos. O gênero terror, ao longo dos anos, consolidou diferentes abordagens exploratórias para a construção de uma boa história, na qual um bom roteiro, aliado a uma ideia consistente e bem desenvolvida, se complementam e entregam ao público aquilo que os apreciadores do gênero buscam nas grandes telas.

Para que um filme funcione plenamente, é necessário que roteiro, ideia e desenvolvimento estejam interligados. Neste caso, um dos pontos negativos está justamente na relação entre o roteiro e a ideia central. Observa-se uma proposta bastante interessante; no entanto, o problema reside em seu desenvolvimento, que aparenta não ter sido devidamente explorado. Muitos elementos são apresentados de forma apressada, transmitindo a sensação de que não havia a intenção de construir um filme mais longo e aprofundado, mas sim uma trama rápida, que percorre suas ideias superficialmente. O filme também deixa a desejar dentro de seu próprio gênero, perdendo-se a partir da metade da narrativa. Há uma mudança de tom, como se não soubesse transitar do terror para a comédia, o que acaba quebrando o clima em determinadas cenas de ação e diálogos que deveriam ser mais intensos. Dessa forma, a obra peca no aspecto de manter a sua própria proposta.

Os efeitos especiais reforçam a impressão de que os diretores não buscavam um terror sério, optando por momentos mais descontraídos para reforçar que estamos falando de uma comédia de terror. Ainda assim, vale destacar que muitos desses efeitos são, em grande parte, exessivamente grotescos. Entre os pontos positivos, destaca-se o figurino, bem característico do gênero, além de algumas sequências em que o clima é bem construído e consegue prender a atenção. Em boa parte do tempo, o filme remete a produções de terror mais antigas, como se não incorporasse plenamente a evolução da nova geração do gênero. O próprio humor, que de certa forma satiriza esse fato, não consegue divertir o espectador de verdade.

No que diz respeito ao elenco principal, merecem destaque as atuações de Zazie Beetz e Myha’la, que dão vida às personagens Asia Reaves e Maria Reaves, duas irmãs separadas após uma tentativa de fuga mal sucedida — uma acaba sendo presa, enquanto a outra retorna para viver com o pai. As atuações dos personagens secundários também são dignas de elogio, especialmente as de Heather Graham e Patricia Arquette. Trata-se de um filme que passa rapidamente, em parte devido à falta de aprofundamento da ideia central. São poucas as cenas que realmente conseguem prender a atenção do espectador, o que pode levar à perda de interesse ao longo da exibição. O fato de o roteiro não entregar facilmente o desfecho, incentivando o público a teorizar e a buscar compreender o final da história, até ajuda, mas não compensa.

Por fim, ter uma boa ideia não é suficiente se ela não for bem explorada no roteiro — e este é o principal problema da obra. Uma proposta promissora que aparenta ter sido condensada para chegar rapidamente à conclusão. O ritmo acelerado dos acontecimentos compromete a experiência, deixando a sensação de que a história merecia um desenvolvimento mais aprofundado e, o humor, um refino maior.

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