[Crítica] Cara de Um, Focinho de Outro (2026)

França

3/1/20263 min read

“Cara de Um, Focinho de Outro” é do mesmo criador de “Ursos sem Curso”, Daniel Chong. No longa, Mabel é uma adolescente que, por influência da avó e por um desejo interno, se interessa profundamente em cuidar dos animais. Ela prefere passar o tempo com a avó e na floresta que fica atrás de sua casa. Durante a infância, escolhe ficar ao lado dela em vez de acompanhar os pais. Com o passar dos anos, a avó vai ficando fraca e acaba falecendo, deixando um vazio enorme.

Após essa perda, o espaço onde Mabel adorava ficar começa a ser destruído pelo prefeito, que quer construir uma passagem para reduzir em três minutos o trânsito até a cidade. Inconformada, Mabel passa a enfrentá-lo constantemente, o que vira quase uma rotina. Em determinado momento, ele afirma que ela precisaria de um abaixo-assinado para impedir a obra, alegando que não há mais nenhum animal vivendo naquele local.

Além disso, já na faculdade, Mabel conversa com uma professora e tem a ideia de conseguir um castor para provar que o espaço ainda abriga vida. Quando o castor finalmente aparece, ele é pego por um carro e Mabel o segue até a universidade. Lá, descobre que existem robôs usados para troca de corpos — a professora e seus colegas, interessados em entender como funciona o reino animal, utilizam essa tecnologia para vivenciar a experiência dos animais. Mabel também consegue passar pelo mesmo processo, mesmo com a tentativa da professora de impedi-la.

Daniel Chong, já acostumado a trabalhar temas ligados à preservação ambiental por causa de “Ursos sem Curso”, entrega um filme divertido e que busca transmitir uma mensagem ecológica. No entanto, há falhas em algumas artes, como o design dos animais, que parecem inacabadas, dando a sensação de que a produção foi acelerada.

Entretanto, mesmo que a proposta seja infantil, as crianças são plenamente capazes de compreender quem realmente é responsável pela destruição e, na história, a culpa maior continua sendo do prefeito. Em certos momentos, porém, a mensagem se enfraquece ao sugerir que um animal também compartilha essa responsabilidade, o que acaba confundindo a crítica central.

Segundo alguns insiders, de acordo com um ex-artista da Pixar, os cineastas teriam sido instruídos a “minimizar” a mensagem planejada de ecologismo dentro do filme. Embora o diretor negue essa afirmação, é possível perceber que a crítica ambiental parece suavizada em diversos trechos, como se evitasse um posicionamento mais firme. Isso pode explicar por que a mensagem, que inicialmente parece ser o coração da história, acaba diluída ao longo da narrativa.

No fim, “Cara de Um, Focinho de Outro” tenta seguir uma linha semelhante à de “O Lorax”, buscando uma forte crítica ambiental, mas não alcança o mesmo impacto. A própria Pixar, que há anos trabalha sob a gestão da Disney, parece enfrentar dificuldades para manter uma constância criativa. Embora tenha obtido grande sucesso com “Divertida Mente 2”, também decepcionou com “Elio”. Nesse contexto, o filme passa a impressão de ter sido pensado mais para garantir bilheteria, especialmente considerando que, na metade do ano, será lançado “Toy Story 5”, que deve atrair o grande público e reforçar os planos da Disney para o estúdio.

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